Dois idiomas ao mesmo tempo é um problema para a criança?

Publicado em 29 de janeiro de 2010, no site Espanhol, Inglês, Outros idiomas

Por Simone Tinti

Assim como a modelo Gisele Bündchen, que só conversa com o filho Benjamin, recém-nascido, em português, muitas famílias passam pela situação de ter dois idiomas em casa – no caso de Benjamin, ele também vai conviver com o pai, o jogador de futebol americano Tom Brady, falando inglês.

E quais são os benefícios – e os possíveis problemas – de ouvir, desde o berço, duas línguas diferentes?

A criança pode ter problemas de aprendizado?

Na verdade, se o seu filho tem dois idiomas em casa, você não precisa se preocupar. Como diz Ana Lucia Duran, fonoaudióloga da EDAC (Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínico), há mais vantagens do que desvantagens – e ela faz a afirmação com conhecimento de causa, já que sempre conviveu com o pai e a mãe falando espanhol e português em casa.

O principal benefício: seu filho vai ter fluência em mais de um idioma de maneira natural, sem sofrimento.

“A criança vai se habituar, desde cedo, a escutar o pai falando de uma maneira e a mãe de outra. Além de falar, os pais devem também cantar, ler… cada um na sua língua materna”, diz Juan Uribe, diretor da escola Juan Uribe Ensino Afetivo. O importante, apenas, é fazer com que desde cedo a criança não só escute os dois idiomas, mas também leia e treine a escrita.

É necessário estar muito atento, no entanto, se a criança apresentar alguma dificuldade, o que pode surgir ainda antes de ela ser alfabetizada. “Os pais precisam prestar atenção para o caso do filho trocar os sons das palavras, ter dificuldade de entender o que os outros falam e falta de concentração, por exemplo”, diz Ana Lucia. Ela afirma que, se isso acontecer, vai ser necessário priorizar uma das línguas – de preferência, claro, a que predominar no país em que ele estiver vivendo.

A especialista ainda destaca outros dois pontos importantes: a criança pode misturar os dois idiomas em uma mesma frase com freqüência. “Isso é normal, não caracteriza distúrbio algum. Da mesma forma, ela pode naturalmente criar uma preferência ou uma empatia por uma das línguas”, afirma a fonoaudióloga.

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