Filhos bilíngues devem preservar a cultura brasileira

Publicado em 29 de janeiro de 2010, no site Ensino de Idiomas

O número de famílias brasileiras que procuram escolas bilíngues para os filhos vem aumentando, bem como o número de escolas – em 2007 eram 145 e, em 2009, um levantamento apontou 182.

Segundo os profissionais, os pais brasileiros ouvem da escola a importância de valorizarem a cultura e a língua que passará a fazer parte da vida de seus filhos. Na opinião de Paola Capraro, diretora da escola italiana Eugenio Montale (SP), o ideal seria os pais estudarem a nova língua para não deixar as crianças sozinhas na empreitada. “Cedo ou tarde a criança chegará em casa com uma referência que ninguém poderá compartilhar com ela”.

Com experiência em atendimento a crianças de escolas internacionais, a fonoaudióloga Beatriz Araújo enfatiza que, independentemente de a criança se aprofundar em outros idiomas, sua primeira língua deve ser sempre bem trabalhada: “É por meio dela que a criança vai conseguir se expressar, pois seu lado afetivo está relacionado a essa língua”.

Para isso, o uso da língua materna em casa pode ser incentivado expondo a criança a livros, histórias, músicas, filmes e eventos culturais nesse idioma. Tal estímulo pode contribuir com a elaboração da fala, com um bom desempenho da criança na leitura e na escrita e ajuda a evitar uma possível defasagem no português.

A especialista ainda salienta que a criança que possui uma primeira língua forte tem chances muito maiores de estruturar melhor o aprendizado de um segundo idioma. Há interferências também, claro, na escrita, com a primeira se sobrepondo à segunda. Tais dificuldades são previstas e devem ser trabalhadas na própria escola e resolvidas bem antes de as crianças ingressarem no ensino médio.

O mesmo princípio deve se estender à cultura brasileira. Não são todas as escolas bilíngues que abordam o tema com tanta ênfase quanto uma escola brasileira – e aí vale questionar:

faz sentido uma criança brasileira saber mais dos índios norte-americanos do que das tribos brasileiras? Ou ter pleno domínio da história de um país europeu e desconhecer a própria origem?

Para serem reconhecidas pelo Ministério da Educação, todas as escolas estabelecidas no Brasil têm um currículo mínimo a ser abordado em sala de aula, sejam elas bilíngues ou não – cabe aos pais investigar se a ênfase dada ao assunto pela escola é compatível com o que eles julgam necessário para os filhos.
É uma grande decisão, sim

Trocando em miúdos, a verdade é que o ensino bilíngue oferece uma série de vantagens e desvantagens e, por isso, deve ser uma opção analisada cuidadosamente conforme a cultura, os interesses, planos e ideais de cada família. Conforme Heidi Oliveira, diretora pedagógica da Juan Uribe Ensino Afetivo, a questão não é saber qual o melhor tipo de escola, mas a ideal para uma determinada criança. É preciso se questionar:

por que uma educação bilíngue? Qual o objetivo por trás dessa escolha? Os valores da língua, da cultura e da escola em questão estão de acordo com os valores da família? Qual a relevância da língua para criança em seu momento atual? A família viaja ou tem algum contato com a cultura estrangeira?

A decisão é importante, traçará o início da jornada escolar da criança e justifica, portanto, muita leitura, investigação e reflexão.

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